'Tá tudo bem mesmo?'
'É claro que sim... não foi nada...'
Fiquei muito feliz por ninguém poder ouvir isso. E por ninguém, eu quero dizer Rani. Ela é uma excelente amiga, mas se ouvisse isso, com certeza iria começar de novo com aquela história de que eu sou ingênua e boazinha...
" Oi, Arianazinha!"
"André!"
O André sabe que existe um monte de garotas doidas na nossa escola. O que ele não sabe é que são doidas por ele. Por isso, ele sempre tenta manter o máximo de proximidade comigo e com a Rani. Principalmente se tem outra garota por perto. Eu nunca entendi qual é exatamente o motivo disso. Acho que é porque ele é um garoto...
"E então... Como vai a vida?"
"Vai bem. E a sua?"
"Vai indo..."
"Ei, Ariana! Eu tiro os olhos de você por dois segundos e você já vai falar com um garoto?"
"Ranii!!"
"Que foi? Estraguei sua paquera? Olha, que ele já está olhando feio para a gente..."
"Ele?"
Me virei para ver de quem ela estava falando. Mas a resposta era óbvia. Era o Alan. Ele é primo da Rani (pelo menos eu acho. Uma vez eles me falaram algo assim, mas eu não me lembro direito), e desde que eu me lembro, ela adora essa história, de dizer que ele gosta de mim, e eu dele. Coisas da Rani...
"Oi, pessoal"
"Oi, Alan"
"Oi"
"Oi, seu chato"
"Como sempre, delicada, não é Rani?"
"Deixa que eu resolvo isso. Como sempre, delicada, não é Rani?"
Não pude deixar de rir (mesmo sabendo que a Rani vai brigar comigo depois).
Por algum motivo, Alan e Antônio (o prisioneiro dele) pareciam nunca se comunicar com pensamento ou com o mundo interior. Uma vez, eu perguntei o porquê disso, mas o Alan apenas me disse:
"Eu e o Antônio temos outra forma de comunicação..."
Eu perguntei o que isso significava, mas ele não me disse mais nada.
Talvez o dia de hoje seja menos cansativo, afinal...
Vingança...
Há 15 anos

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