Vamos deixar uma coisa bem clara aqui: eu nunca tive amigos na minha vida, não tenho a menor ideia de como falar com as pessoas e sou completamente anti-social. Passei a maior parte da minha vida em um internato. É fato, é simples e não tem nada demais nisso. As pessoas que estão comigo nesse exato momento estão cansadas de saber. Então, POR QUE É QUE EU TENHO QUE FAZER ISSO???????
"Serão quantas entradas, senhora?"
"Uma inteira e duas meias, por favor"
"Aqui estão. Divirtam-se!"
Você com certeza está se perguntando como é que eu vim parar na entrada de um parque de diversões no meio do nada, e por que eu estou vendendo entradas, ou talvez.... onde foram parar aqueles dois que deveriam ser os responsáveis por mim nesse lugar estranho e sombrio. Bem, a resposta para cada uma dessas perguntas é uma história muito engraçada, que começou há mais ou menos um mês....
Nós saímos da "casa de vidro" em um carro comandado pela motorista mais doida que existe: uma garota de 16 anos com nada na cabeça chamada Clara. O nosso carro "bateu" (só não me pergunte no quê, já que aqui não tem nada para se bater) e nós ficamos sem ter como sair daqui (uma caminhada de quilômetros quando não se trouxe nem uma garrafinha de água não é uma boa ideia). A Clara voltou ao seu normal como se nada tivesse acontecido e logo depois teve uma crise de choro no outro lado do carro, achando que ninguém ia ver (nosso carro era tranparente). Depois, o Mário foi lá consolar a pobrezinha e eu de alguma forma virei a vilã da história só porque não fiquei com peninha da dona Sabe-tudo que, aliás, é a culpada por tudo isso, só para começo de conversa.
Enquanto os dois tinham seu momento romântico do outro lado do carro (mais uma vez, como se ninguém pudesse ver), eu consegui ver a forma de alguma coisa lá longe. Depois que a troca de saliva deles acabou, a Clara, misteriosamente recuperada, falou que a gente deveria ir até lá. E tudo que a Clara fala, a gente obedece (afinal, ninguém aprendeu nada com a última vez). Só que ela também falou para a gente levar o carro até lá... Se você nunca caminhou quilômetros arrastando um carro quebrado feito de um material estranho, você não faz ideia de como é.
Eu estava muito ocupada com meus planos de como me livrar daquele casalzinho insuportável quando chegássemos a seja lá onde para notar que já havíamos chegado. A má notícia é que aquele lugar já devia estar abandonado há séculos. E ganha um pacote de bolhas de sabão quem descobrir o que era esse lugar.
Por algum motivo, meus "companheiros" entraram em transe quando reconheceram o lugar. Para mim, parecia apenas um cenário de filme de terror. Mas para os pombinhos, esse lugar parecia o paraíso na Terra.
Depois disso, as coisas passaram muito rápido: Clara disse que todos os euipamentos estavam em boas condições, "alguém" deu a ideia de reativarmos o lugar e voltamos ao começo.
Por incrível que pareça, o lugar está sempre cheio de pessoas que chegam aqui... de algum jeito. Eu já pensei em perguntar se a cidade fica perto, em pedir carona até lá ou até em entrar no porta malas de algum carro. Sim, eu quero sair daqui, e o mais rápido possível. Não, não pretendo dizer isso a ninguém. De qualquer forma, um parque de diversões pode ser um negócio bem romântico. Eu fico apenas segurando vela para eles aqui. Mas quando eu penso em voltar ao "mundo real"... que tipo de coisa eu iria fazer? Não é como se eu soubesse onde moram meus pais (se é que eles são mesmo quem dizem ser). Eu iria estar sozinha...
"Olá! Serão quantas entradas?"
Vingança...
Há 15 anos

Tá...e agora?? Cadê o restante???
ResponderExcluirA propósito, quem está atrasada agora??heheheheeh