domingo, 6 de dezembro de 2009

Bubbles- parte 4

Realmente, eu devo estar louca... discutir com aquelas garotas... De qualquer forma, depois daquilo eu me deitei de novo na cama e dormi. O dia seguinte provavelmente seria melhor, eu pensei...Pelo menos, não poderia ser pior...ou poderia?
...
Aula de Educação Física logo de manhã...Eu queria saber quem é que decide nosso horário de aula.

"Muito bem, você e... você. Vocês vão escolher os times. Vamos jogar basquete."
...
Bem, eu não me orgulho muito das minhas habilidades esportivas. A única coisa que eu sei fazer é correr. Por isso, o melhor é só jogar a bola para mim quando você não tem outra opção, porque senão eu vou demorar duas horas para decidir para quem jogar (não queira me ver tentando correr com a bola) e vou errar. O outro time vai pegar a bola e todo mundo vai brigar comigo (eles brigam com qualquer um que erre. Pelo menos na Educação Física, o meu "probleminha" não significa nada).
Pois é, mas o craque do meu time foi cercado e não sabia o que fazer. Teve que pensar rápido. E , adivinhem... A bola veio em minha direção. Foi um verdadeiro desastre para eu conseguir segurá-la. O pior veio depois: ninguém do meu time estava por perto. Eu não tinha escolha: precisava correr, chegar mais perto de alguém e arriscar um passe. Do lugar onde eu estava, era muita burrice tentar jogar a bola para alguém.
Comecei a correr com a bola. E é claro que o pessoal do outro time veio em minha direção. Uma menina do time deles estava muito perto. Ela ia conseguir pegar... não eu tinha que ser mais rápida... Ela estava conseguindo...
PAM
A menina foi lançada para longe. Eu não sabia quem ou o que tinha feito aquilo. Mas meus "coleguinhas" já tinham uma explicação na ponta da língua.
Alguns garotos foram ajudar a menina a se levantar. Ela tinha ralado o joelho e estava com alguns outros arranhões pelo corpo. Nada mais grave aconteceu, felizmente.

"Professor, isso foi falta"
"FALTA?! Isso foi muito mais do que uma simples falta!! Ela poderia ter quebrado a perna, ou o braço, ou... ela poderia até ter morrido!"
"Não exagera"
"Isso foi muito sério!!"
"Calma, calma, pessoal. Está tudo bem com ela, não se preocupem. Ela vai para a enfermaria, mas é só para fazer um curativo. Provavelmente ela não vai mais jogar hoje, mas vai poder ter as outras aulas normalmente. Não foi nada grave. E você, Tatiana, precisa se controlar!"
"O QUE?! Mas o que foi que eu fiz dessa vez?! Vocês viram que eu nem encostei nela!"
"E desde quando você precisa encostar em alguém para fazer uma coisa dessas?!"
É, se eu achei que as coisas poderiam mudar, eu estava completamente enganada.
"Olha, Tatiana, a gente às vezes exagera com você, tudo bem, mas você também não precisa ficar fazendo isso"
Ou não. Eu nem acreditei no que eu ouvi. Olhei para o garoto que me disse isso. Fazia muito tempo que ninguém da minha sala me chamava pelo nome.
"Eu...eu não fiz isso...Eu nunca fiz nada"

CRASH

Um barulho ensurdecedor, como se 200 janelas de vidro estivessem se partindo. E era mais ou menos isso que tinha acontecido. Todas as janelas da parte do prédio da escola que ficava voltada para a quadra se quebraram. Senti um vento muito frio. Iriam me responsabilizar por aquilo também? A resposta veio correndo para a quadra.
" Eu sou assistente do diretor. Ele me pediu para chamar a aluna Tatiana."
Assistente? Eu nunca tinha visto aquele homem lá.
"Sou eu. Qual é o problema?" Fiz essa pergunta, mesmo já sabendo a resposta.
" Ele quer falar com você. Parece que ele já chamou os seus pais"
Parece? Que tipo de assistente é ele?
Acompanhei o estranho até a sala do diretor, que não ficava tão longe quanto eu pensava. O diretor conversou um pouco comigo antes dos meus pais chegarem. Falou sobre a história do colégio, que é um dos melhores, etc... Depois, ele notou que eu não estava muito interessada, e mudou de assunto.
"Soube que você tem alguns problemas com seus colegas"
"Na verdade, eles é que tem algum problema comigo"
"Eles são mais de vinte. Você é só uma. O mais provável é que o problema esteja em você. Gostaria de conversar sobre o assunto?"
Não sabia onde ele queria chegar com aquilo. Nunca ninguém tentou falar comigo sobre esse assunto. De qualquer forma, eu nunca liguei muito para isso, então não tinha nada de ruim em contar tudo para o diretor. Mas estava tudo muito estranho.
"É que eles me culpam de qualquer coisa estranha que aconteça"
"Não foi isso o que eu soube"
Peraí...ele soube de alguma coisa? O que ele pretendia com aquilo?
" Se você já sabe de alguma coisa, então por que me perguntou?"
"É que eu quero saber a sua versão dos fatos"
"Eu não fiz nada!"
" Então, como você explica o que acontece?"
"Pode ser qualquer um...pode ser qualquer coisa!!"
"Então por que só acontece quando você está por perto?"
"NÃO SEI!! Se já escolheu em quem acreditar, por que ainda me pergunta alguma coisa?!?!"
"Eles chegaram, senhor"
A chegada do "assistente" interrompeu o que estava para se transformar em uma discussão.
"Mande eles entrarem"
Um casal entrou. Se o diretor não dissesse os nomes deles, eu não os reconheceria.
Eram os meus pais. Minha mãe estava loira? Da última vez que eu a vi, ela era morena. Eu acho. Era estranho. Acho que qualquer casal poderia ir á que eu não saberia dizer se eram meus pais.

"O que houve, diretor?"

" Viemos o mais rápido que pudemos.! A nossa Tatizinha está bem?"

"A Tatiana está bem sim. Só não podemos dizer o mesmo dos outros..."

" Que outros? O que foi que aconteceu?"

"Diga logo, homem!"

"Calma, calma. Eu vou dizer algo um pouco complicado... A filha de vocês é uma delinquente!"

" O que?"

"O que?"

"O QUE?!?"

"Bem, ela fez algumas coisas que..."

"EU NÃO FIZ NADA!!!"

"Explique-se melhor, diretor"

" Todos os que chegam perto dessa...dessa coisa, se machucam. Uma carteira da sala dela foi quebrada. Uma menina foi para a enfermaria, com sorte de estar viva. E agora, muitas janelas se quebraram. Os alunos e professores que estavam naquelas salas foram atingidos pelo vidro e se machucaram seriamente! Isso é ou não coisa de delinquente?"

" Ora, senhor diretor, pode ter sido qualquer um!"

"Já pensou que talvez o vidro das janelas seja de baixa qualidade?"

"Impossível. Os vidros de todas as janelas são iguais. E só se quebraram os das janelas voltadas para o lugar onde isso estava! E em todos os incidentes, sem exceção, isso estava presente!"

"PARE DE FALAR ASSIM COM A MINHA FILHA!"

"Senhor diretor, seja razoável. Como a Tatiana poderia estar fazendo isso?"

" Não faço a menor ideia. Mas isso é problema de vocês. O fato é que estão todos muito assustados. Os pais não querem uma ameaça dessas a segurança de seus filhos. Esses incidentes acontecem desde que isso veio para a nossa escola! Eu não teria chamado vocês aqui se a situação não fosse realmente grave. Eu...bem, eu gostaria de pedir que vocês retirem sua filha desse colégio"

"O QUE?! Está expulsando nossa filha?!"

"Não estou. Ainda. Se eu fizesse isso, ela provavelmente não seria aceita em nenhum colégio decente. mas se vocês insistirem em mante-la aqui, serei obrigado a expulsá-la"



Então era isso. Ele me queria fora da escola. Meus pais tentaram negociar, mas não teve jeito. No final, nós três saímos juntos de lá.
"O que vamos fazer agora? Esse é o melhor internato do país!Não vamos achar outro no mesmo nível!"
"Se não aceitam a Tatiana, é porque não é tão bom assim!"

"Acho que posso ajudar vocês!"
Quem disse isso foi uma mulher que devia ter uns quarenta, cinquenta anos. Ruiva, mas não era aquele tom de cabelo tingido, mas um tom natural, que combinava muito bem com seu rosto. Ela estava parada perto de um carro bem... diferente. Era um modelo bem luxuoso, mas com uma particularidade: parecia feito inteiro de vidro.

Eu tenho apenas 15 anos. Isso não é nem um quarto do que eu pretendo viver. Mas, às 12:45 daquele dia, eu percebi que não importava quanto tempo eu fosse viver, aquele sempre seria o dia mais estranho da minha vida.

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